Planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro

 
Uma peça — representação cartográfica — de singular valor histórico e artístico. É a mais antiga do acervo do Museu da Imprensa. Trata-se das chapas originais de cobre, gravadas em água forte (ácido) e buril (instrumento usado na execução de gravuras em metal e madeira), por ordem do príncipe regente D. João no ano de 1808, alguns meses após a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro.
 
Planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro

O processo usado em sua produção foi o da calcografia, ou gravura em metal – arte de gravar em metal com buril, gênero que se chama também de talho-doce. O trabalho foi concluído em 1812. Em 1813, de acordo com a “Gazeta do Rio de Janeiro” (de 5 de maio de 1813), a Impressão Régia (hoje, Imprensa Nacional) imprimiu a partir dessa peça uma primeira edição do mapa da cidade.

O Museu da Imprensa exibe uma cópia. Mas há pelo menos dois exemplares originais: um na mapoteca do Itamaraty, no Rio de Janeiro, e outro no acervo Brasiliana da Universidade de São Paulo. Foi doado, assim como toda a sua biblioteca, por José Mindlin, em 2006 – acervo que foi ponto de partida da Brasiliana.

Para se ter ideia do extraordinário valor cultural, histórico e artístico da Planta da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e dos exemplares originais impressos a partir da gravura, há um fato que merece citação. O mapa do acervo do Itamaraty foi adquirido pelo Barão do Rio Branco em leilão dos pertences de Ferdinand Denis, renomado historiador francês especializado em assuntos brasileiros.

O leilão ocorreu em Paris, em 12 de janeiro de 1891. A informação vem de duas obras de Isa Adonias. Se um mapa foi alvo de tanta preocupação, imagine-se a matriz que deu origem a eles, ou seja, a Planta da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (125 por 95 cm). Ela pode ser considerada como uma fotografia do início do século XIX. Um retrato da sede da Corte portuguesa, cidade que apenas em 1808 recebeu 15 mil estrangeiros, o que provocou grandes mudanças urbanas ao longo daquele século.

Com a chegada da Corte, famosos gravadores foram atraídos para o Rio. Em 7 de abril de 1808, foi criado o gabinete cartográfico do Real Arquivo Militar. Esta oficina, posteriormente vinculada à Academia Militar, desenvolveu-se inicialmente como centro de produção de talhos-doces aplicados principalmente à produção cartográfica. O maior estudioso da história da Imprensa Nacional, Alfredo do Valle Cabral (autor de obras como “Anais da Imprensa Nacional do Rio de Janeiro de 1808 a 1822” e “Almanak da Impressão Régia”) garante que a planta começou a ser levantada no Real Arquivo Militar no ano de 1808.

O “Diario Official” do centenário da Imprensa Nacional, ou seja, do dia 13 de maio de 1908, publicou importantes informações que clareiam ainda mais a história do bem cultural exposto no Museu da Imprensa. Abaixo, transcrição de trecho da página nº 3231 (ou página 11, Seção I, daquela edição do “Diario Official”):