Máquinas pautadeiras

 
O Museu da Imprensa exibe modelos dessas máquinas, de origem norte-americana. Um é de 1922 e a outra máquina é de 1925. Operaram, por décadas, na área gráfica da Imprensa Nacional, no Rio de Janeiro. Mas trabalhos foram feitos também em Brasília.
 
Máquinas pautadeiras

Essas máquinas serviram à pautação de livros para registros de atos administrativos, livros de notas de cartórios e cadernos usados pelo Serviço Público Federal. O seu funcionamento era semi-automático, abastecido por energia elétrica. O pautador é o impressor nessas máquinas. Ele prepara as penas na caneta, nos modelos manuais, e coloca o disco e espaços nos eixos, para marcar a impressão no papel em bobina.

 

Máquinas pautadeiras, de última geração, estão hoje nas linhas de produção das grandes empresas gráficas do mundo inteiro, que produzem cadernos escolares, agendas e molesquines (cadernos de notas) — utilizados desde o século XIX, e com maior intensidade no século XX.

 

A maior parte desses equipamentos, nesse início do século XXI, são flexográficos (ou seja, obedecem a um processo de impressão rotativo, direto, que tem como matriz clichês de borracha natural ou sintética), cuja produção é controlada por meio de sensores ao longo de todo o equipamento. No painel de comando, com contadores digitais, é feita toda a programação do trabalho a ser executado.

 

As máquinas do acervo do Museu da Imprensa são, obviamente, bem diferentes desses modelos atuais. Mas a qualidade do trabalho produzido é semelhante. São equipamentos construídos de madeira torneada e com engrenagens e decoração em ferro. Os rolos impressores foram feitos de madeira.

 

A máquina de pautar, adquirida pela Imprensa Nacional em 1922, inspirou  arquitetura sob todo o  teto do Museu da Imprensa. Um feixe de elementos (linhas) gráficas condiz e se harmoniza com o ambiente, conferindo valor estético e leveza.As pautadeiras estão no acervo do  Museu da Imprensa desde 1980.

 

Originais, raras e precursoras

 

Nos anos 1930 do século XX, a Imprensa Nacional chegou a ter 40 máquinas de pautar. Os exemplares em exposição no Museu da Imprensa são dessa época e pertenceram à linha produtiva de pautação da instituição, que atendia à demanda do serviço público. A atividade, na Imprensa Nacional, começou, entretanto, ainda no século XIX. O número 111, página 3233, de 13 de maio de 1908, do então Diario Official, traz um belo registro a respeito desses primórdios.

 

“Foi só em 1884 que a officina tomou certo desenvolvimento mecânico, adquirindo uma pequena machina de pautar, do systema americano, aperfeiçoado na Allemanha, o que então havia de mais cabal, e outra para fabricar pennas de pautação. Foram as encommendas da Repartição Geral dos Telegraphos e da Estrada de Ferro D. Pedro II que promoveram esse melhoramento no serviço.”

 

O registro mostra um aumento da demanda: “(...) novo impulso melhorante foi recebendo a officina que, em 1895, já possuía sete machinas, cinco de pennas e duas de rodinhas. Sua producção foi, nesse ano,  de 8.289 livros, sendo 5.726 pautados e riscados, 1.725 com pautado e riscado especiaes, 838 com riscado simples, e 1.756.167 folhas avulsas. Actualmente, dispõe de nove machinas de pautar e riscar com pennas e rodinhas, das mais aperfeiçoadas, do fabricante E. C. N. Will. Sua receita foi , em 1907, de 42:085$732 e sua despeza de 33:646$045.”

 

As máquinas de pautar surgiram na França a partir de 1775. O seu desenvolvimento tecnológico experimentou até os dias de hoje grandes avanços. Há modelos atuais com dois desbobinadores, dois castelos de pautação e dois injetores, que se estendem por 18 metros de comprimento e pesam 16 toneladas. Os exemplares do Museu da Imprensa pesam cerca de 500 kg e ocupam espaço de 3 metros de comprimento apenas.

 

A máquina de pautar mais antiga do Museu da Imprensa foi comprada pela Imprensa Nacional em 1922 por 10 milhões de réis. Ela é toda produzida em madeira torneada, com engrenagens e decoração em ferro. Os rolos impressores são de madeira. E utilizava penas no seu funcionamento. Uma curiosidade: seu design inspirou a arquitetura do teto do Museu da Imprensa.

 

 

A outra máquina em exposição foi comprada pela Imprensa Nacional em 24 de janeiro de 1925 por 34 milhões de réis. O fabricante é o mesmo que forneceu as adquiridas pela Instituição no início do século passado. Trabalhava com pena e disco, movida a eletricidade.