Impressora Marinoni

 
Esta impressora é, de tão importante, um bem cultural não só de Brasília, mas também do Brasil. Por que a Marinoni foi – e é – tão importante? Por que, enfim, é mais do que uma máquina um bem cultural? Sua história é marcada por feitos grandiosos, que significaram inestimáveis serviços à cidadania, à democracia, por meio da informação das leis – impressa por ela. Uma história que, além disso, tem muito a ver com Brasília.
 
Impressora Marinoni

Eis alguns dados reveladores e indeléveis. Foi ela que ainda no Rio de Janeiro imprimiu, na Imprensa Nacional, a Lei nº 3.237, de 1º de outubro de 1957. Artigo primeiro dessa lei, assinada pelo presidente Juscelino Kubitschek: Em cumprimento do artigo 4º e seu § 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias será transferida, no dia 21 de abril de 1960, a Capital da União para o novo Distrito Federal já delimitado no planalto central do País.

O segundo momento de glória ocorreria quase três anos e meio após esse primeiro feito. A Marinoni concretizou a inquebrantável determinação do presidente JK. No dia 21 de abril de 1960, em Brasília, ela rodou, cumprindo fielmente a vontade do Presidente da República, o Diário Oficial que oficializou, cumpriu o princípio constitucional da publicidade (“publicidade é a divulgação oficial do ato para conhecimento público e início de seus efeitos externos”, segundo Hely Lopes Meirelles), deu legalidade, à nova capital do Brasil.

JK confiava no diretor-geral da Imprensa,Nacional, Alberto Sá Souza Britto Pereira, nos seus servidores e na Marinoni. Gostava da impressora, tanto que foi até a Imprensa Nacional para acionar o botão para rodar o Diário Oficial do dia 21 de abril, que circulou no dia 22. Exatamente um mês antes, em 21 de março de 1960, apôs sua assinatura em um exemplar-teste do Diário Oficial, rodado pela Marinoni, imediatamente após sua montagem em Brasília, em um prédio em obras, coberto apenas com lajes.

O secretário-geral do Ministério da Justiça (a quem a Imprensa Nacional era vinculada) acompanhou o teste. E levou exemplares do teste ao ministro da Justiça Armando Falcão, que os levou ao presidente JK. Entusiasmado, JK autografou esses exemplares. O Museu da Imprensa tem em seu acervo um deles. O Presidente da República fez, naquele instante, um agradecimento aos 50 primeiros servidores da Imprensa Nacional, que foram, às pressas, transferidos do Rio de Janeiro para a missão de fazer com que o Órgão tivesse condições de rodar a tempo o Diário Oficial em Brasília.

A epopeia não foi nada fácil a desmontagem, no Rio, e, em Brasília, a remontagem da Marinoni. O diretor-geral Britto Pereira selecionou os melhores servidores de mecânica pesada para a tarefa, que só no Rio consumiu 25 dias de trabalho. Eram nove mecânicos e cinco ajudantes.