Busto de D. João VI

 
A imprensa chegou tarde ao Brasil: 1808. Trezentos e cinquenta e oito anos após o invento de Gutenberg. Mas chegou. E chegou graças ao príncipe regente D. João, que à frente da família real portuguesa, veio para o Brasil. E, no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1808 (dia de seu aniversário), criou a Impressão Régia, hoje Imprensa Nacional, que nesse mesmo dia publicou um livro com atos oficiais — o primeiro do Brasil.
 
Busto de D. João VI

Naquele mesmo ano, em 10 de setembro, surgia também na Impressão Régia, o jornalismo periódico brasileiro com o primeiro número da “Gazeta do Rio de Janeiro”, que publicava notícias e atos oficiais. Eis duas das realizações de D. João VI, dentre uma série de outros legados de sua administração — até pouco tempo atrás incompreendida — para a formação do Estado brasileiro.

Em seu bicentenário, comemorado ao longo de 2008, a Imprensa Nacional homenageou, de forma solene, quem a criou: D. João VI (João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antonio Domingos Rafael de Bragança), que foi, primeiro, príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e, a partir de 20 de março de 1816, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Um busto foi inaugurado no dia 13 de maio de 2008 e instalado na praça Impressão Régia (inaugurada também nesse dia), nos jardins da Imprensa Nacional e do Museu da Imprensa.

O embaixador de Portugal,Francisco Manuel Seixas da Costa, e o diretor-geral da Imprensa Nacional, Fernando Tolentino de Sousa Vieira, abriram a solenidade com o hasteamento das bandeiras de Portugal e do Brasil, ao som dos hinos dos dois países, executados pela banda dos Dragões da Independência (como é conhecido o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, unidade do Exército brasileiro) – corporação que nesse dia também completava o seu bicentenário. O tributo a D. João VI foi acompanhado com muita emoção por autoridades, intelectuais e servidores da Imprensa Nacional. Estavam no evento o então presidente da Associação Brasileira de Imprensas Oficiais, Francisco Pedalino Costa, dirigentes das imprensas oficiais de São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Goiás, Mato Grosso e Espírito Santo, além do diretor do Instituto Camões, Adriano Jordão.

Representando a Academia Brasileira de Letras, compareceu o embaixador Alberto da Costa e Silva, quarto ocupante da Cadeira nº 9. Ele também representou, como coordenador-geral, a Comissão para as Comemorações da Chegada da Família Real ao Rio de Janeiro. Alberto da Costa e Silva, um dos nomes de maior destaque da inteligência brasileira (historiador, poeta, ensaísta e memorialista), declarou sua admiração pela Imprensa Nacional. Em entrevista à imprensa, Costa e Silva disse, após a solenidade, que “D. João VI começou 2008 com uma imagem e vai chegar ao final do ano com outra, totalmente diferente”.

A respeito das homenagens ao monarca, a escritora e professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, Lília Moritz Schawarcz, falou em 3 de março de 2007 ao portal Itaboraí Web. “Não se trata se engrandecer D. João, mas de reconhecer seu papel. Ele abriu o país ao estrangeiro (Abertura dos Portos), criou a estrutura estatal e iniciou as instituições culturais. Não sabia se iria ficar muito ou pouco tempo. Sabia, sim.